quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Agora

Como perde tempo aquele que para de andar para lamentar o que não fez no passado, e como o perde, igualmente, quem o faz para ocupar-se do futuro…

Como perdi tempo nas vezes em que me esqueci que o tempo de ocupar-me com o passado foi quando ele ainda não o era, e que o tempo de ocupar-me com o futuro será quando ele não o for mais…

E como ganho tempo, e sabedoria, quando trago do passado apenas as lições e as boas lembranças, adubos para as sementes que devo plantar agora.

Como queixar-me do que não tive, se então eu tinha a Deus? Como queixar-me de sonhos que caíram, se na Eternidade terei a Ele? Como queixar-me do que ainda não viu a hora de ser, se o que preciso para agora tenho agora em Deus?

Ah, mas aprender a depender d’Ele é tarefa árdua, jornada de longa estrada; terei tempo bastante? É claro! Agora há de ser todo o tempo de que preciso, porque, afinal, é todo o tempo que Ele me dá.

Por fim, quando esse mesmo agora me parecer longo por ser dolorido, bastar-me-á lembrar que, face à Eternidade, tudo que acaba é na verdade muito curto. E, quando acabar também essa noção de começar e acabar, hei de deixar de simplesmente “estar” com Deus para enfim “ser” com Ele.

Ma vie n’est qu’un instant, une heure passagère
Ma vie n’est qu’un seul jour qui m’échappe et qui fuit
Tu le sais, ô mon Dieu!
Tu le sais, ô mon Dieu!
Pour T’aimer sur la terre je n’ai rien q’aujourd’hui!

Minha vida é um brevíssimo segundo
Minha vida é um só dia que escapa e que me foge
Tu bem sabes, oh meu Deus
Tu bem sabes, oh meu Deus
Para amar-Te neste mundo, não tenho nada mais que hoje

(Celina Borges, “Nada Mais que Hoje”, Ânima)

Um comentário:

Daniel. disse...

Muito legal! Parabéns!